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terça-feira, 15 de março de 2016



...Primeiro foram as borboletas, as primeiras que o deixaram, levando um pouco do brilho verde de seus olhos, foram elas que abriram a porta pra que tudo mais saísse, e sem perceber, sem ao menos perceber tudo foi se perdendo.
Ele se perdeu, perdeu tudo que o tornava ele, o ar de criança travessa, o riso fácil, a alegria que emitia, os olhos que te convidavam pra mais uma noite de diversão, aquela energia que te fazia querer ele por perto para sempre, seus planos, sua alma, seus sonhos, aquele garoto sonhador cheio de idéias e planos, simplesmente se perdera, e só restou um oco, um eco do que ele foi um dia.
Ele ainda era igual, tinha o mesmo sorriso torto, o mesmo olhar de quem vive em um mundo longe daqui, ainda parava do mesmo jeito com as mãos nos bolsos, tinha o mesmo cheiro, ainda parecia feliz, mas ele não era mais o mesmo.
Ele foi ferido, ele foi quebrado, foi roubado dele mesmo, acabaram os sonhos, os planos e por fim a sua esperança, sua fé nas pessoas, e ele foi deixado ali, em meio a garrafas vazias, cafés mau pagos, com um maço de cigarros nas mãos.
E pela primeira vez, ele deixou de procurar o melhor das coisas, porque simplesmente não havia, e ele se permitiu ver as coisas como realmente eram, ele não era nada além de mais um pessoa vazia, rodeado por outras pessoas vazias, em um mundo sujo e apodrecido...e isso, o destruiu...

S.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015



E há uma porção de coisas que queria dizer-te
Um tanto de palavras, um bocado de dores.
Queria atirar-te minhas palavras mais duras.
Gritar dizer, que não costumas ouvir.
Atingir-te com o frio de minhas palavras.
Empurrar-te goela a baixo todos os sentimentos verbalizados.
Te fazer entender, te fazer saber, de todas as minhas verdades.
Sufocar-te, com as palavras que tomam minha mente.
Eu queria...queria mas assim como o amor, 
não posso obrigar-te a sentir a dor.

S.

sábado, 7 de novembro de 2015



... E eu só podia observar, por mais que me importasse por mais que eu quisesse, não havia nada que eu pudesse fazer, ele era assim, não aceitaria que ninguém se lança-se em meio a sua confusão pra resgata-lo, era doloroso, ver a forma com que se consumia, o quanto tentava repetir a si mesmo que tudo ficaria bem, que tudo estava bem. Mas os seus olhos nunca negariam, nunca esconderiam, e eles gritavam, eles precisavam de alguém, eles precisavam de ajuda, mas eu sabia que qualquer palavra, qualquer toque, seriam o suficiente pra destruí-lo de vez.
Mesmo que não completamente, eu sabia como sua mente era, e como era a confusão ali, e eu sabia que ele tinha que encontrar suas próprias respostas, ele tinha que lembrar, porque havia uma vida antes, e ele só não recordava como ela era...

S.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Eu odeio'



Recentemente descobri que eu odeio você.
E recentemente descobri que odeio o fato, de ódio se confundir tanto com o amor.
Odeio a forma como você me desarma, me descobre, me desvenda, odeio esse poder que tem em mim.
Odeio quando se afasta, quando some, quando não fala, e minha própria consciência grita pra mim, com essa sua voz rouca, que me é tão familiar.
Odeio quando chora, odeio não poder ajudar, e odeio por já ter sido seu motivo, acho que odeio não ser mais o motivo também.
Odeio quando não me procura, quando esconde, quando se esconde. Odeio ter que esperar o próximo porre pra que possamos ser eu e você de verdade, odeio essas armaduras que insistimos em usar.
Mas, eu odeio, eu odeio que tenha ficado tanto de mim em você, que hoje seja tão eu, quando o que eu mais precisava era de você.

S.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015



...E ela, já não era mais a sua pequena, e nem ele o menino dela.
Mas naquele momento entre o agora, e o para sempre, de uma forma estranha, eles ainda se pertenciam...

S.

sábado, 3 de outubro de 2015



...E ele era bagunça, era confusão, era o acumulo de tudo que o trouxe até aqui, era dor, era tristeza, medo, alegria e caos, e ele era vazio.
E assim, bem assim sem esperanças, sem sonhos, em meio a fumaça dos cigarros que fumou, com o cheiro do álcool que bebia, ele estava mais uma vez, se perguntando, porque tudo estava assim, ele sabia que tudo seria assim, que a dor, a raiva, a tristeza e o medo, não iriam simplesmente desaparecer, mas no fundo ele suplicava, que Outubro chegasse e tudo se fosse como a neblina da manhã.
Mais uma noite chegava ao fim, e o amanhecer não seria nada, se não somente mais um dia, e ele com os olhos vazios, via a chuva que caia lá fora, e foi assim, na hora mais calma do dia, quando todos já haviam se posto a dormir, que ele se despiu de sua armadura, se desfez das armas, rompeu as grades, e se libertou.
E quando a chuva gelada tocou seu rosto, ele chorou....


S.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015



...E enquanto todos dormem, mais uma vez sozinho ele espera o nascer do sol, observando toda a cidade, esperando que com o novo dia possa encontrar o lugar a qual pertence, esperando que o torpor de sua alma desapareça junto com a escuridão da noite, esperando que o novo dia seja mesmo novo.
Perdido em pensamentos como as pontas de cigarro perdidas ao seu redor, sentado com uma garrafa nas mãos procura se encontrar, qualquer rastro, qualquer traço, do que foi um dia, o ponto na trilha em que se perdeu.
Os olhos mareados mostram o quanto se tornou difícil passar pelos dias, como é doloroso ser puxado para todos os lados no seu turbilhão de pensamentos, na sua tempestade de emoções, sentado ali, bebendo com seus medos, e suas aflições ele só queria em fim poder explodir, deixar toda a dor, todo o medo, toda a tristeza, e toda a raiva saírem, explodir em lágrimas, explodir em fúria, o que fosse só queria se libertar de tudo que o prendia. Queria acabar com aquela garrafa e criar forças, criar coragem, e poder em fim falar tudo que sua mente não parava de gritar, mas...Ele sabia que ao verbalizar sentimentos, tudo se torna mais forte, tudo se torna real, e ele sabia que ele não suportaria a força de suas próprias palavras.
A noite logo chegaria ao fim, a garrafa chegaria ao fim, seus cigarros, tudo acabaria, mas nesse momento, ele só queria que Setembro chegasse ao fim...

S.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015



...E em meio ao tintilar de copos e risadas, ele permanecia em silêncio, em meio a fumaça com uma garrafa em sua frente, se perguntando porque tudo lhe parecia tão fora de contexto, porque ele não parecia se enquadrar em meio a tantos risos e alegria.
O ver bebendo sozinho nunca fora um bom sinal, mas acho que nessa ocasião nem ele sabia o que acontecia, só via o reflexo de seu interior naquela garrafa vazia, e no cigarro que se consumia sozinho entre seus dedos.
Quando a segunda garrafa veio, acendeu outro cigarro, encheu o seu copo, um gole amargo de torpor, ele tinha que se perder antes de se encontrar mais uma vez, e assim o faria, deixaria que sua mente se perdesse e fosse aonde ele não queria ir.
Quanto mais bebia, mais cinza e vazio seu olhar me parecia, e mais intensa se tornava sua dor, enfim ele havia entendido o que acontecia com ele, Setembro em fim havia chegado outra vez, trazendo tudo a superfície, novamente, o começo do seu fim veio assombra-lo mais uma vez.
O seu copo e um cigarro acesso permaneceram sobre o balcão, quando ele saiu com os olhos mareados e uma garrafa como sua única companhia...

S.

sábado, 8 de agosto de 2015



...E então ontem a noite o vi mais uma vez, em meio a garrafas e cigarros, com pessoas a sua volta, uma daquelas noites em que o riso e fácil e a cerveja gelada.
Seria simples pra qualquer pessoa, gostar dele assim, nessas noites leves, nesses momentos, nessas noites e quando é mais simples se perder em toda a imensidão que ele é. Sempre gostei de ver ele assim, mesmo que de longe, aquele meio sorriso sempre me conquistou, mas ontem, algo estava diferente, era além do normal.
Sempre soube o que se passa na vida dele, mesmo que sem querer saber, eu sempre soube e sei agora também. Pra qualquer um, seria fácil achar que o álcool que fazia seu lábios se curvarem e o sorriso verdadeiro, mas pra mim não, soube disso, no momento em que ele passou por mim, ele me cumprimentou e sorriu pra mim, e vi seus olhos verdes com aquele brilho travesso de outrora, e seus olhos sorriam pra mim.
Nesses poucos segundos, soube que era "ele", ele estava de volta, o mesmo garoto de antigamente, carregado de sonhos, planos e idéias mirabolantes, era ele tinha certeza que era ele, meu menino sonhador havia retornado....


S.

sábado, 25 de julho de 2015



...Ei?! É difícil né? Ele é difícil. Todos aqueles silêncios, aquele medo, ou quando ele começa a se entristecer e parece que nada o deixa feliz, quando ele se fecha e nada pode o trazer de volta, é, eu sei, o quando a gente se sente pequeno e inútil, quando isso acontece, quando tudo que a gente quer é ver aquele verde brilhar intenso nos olhos dele mais uma vez, mas aquele vazio, aquele cinza parece nunca sair.
 Você chega a ponto de se odiar e a odiar ele também, por não conseguir fazer nada a respeito, e por ele fazer você se sentir como se o estivesse perdendo a cada dia, mas você não consegue não gostar, e ele, ele é assim mesmo, essa inconstância, essa confusão, que te envolve que te prende e te faz não querer ir a nenhum lugar que não ao encontro dele.
 Eu queria poder te ensinar, a lidar com ele sabe?! A ouvir os silêncios, ler o olhar, porque é assim que ele fala mais do que de qualquer outra forma, te ensinar a mante-lo em pé quando ele começa a cair, sustentar os seus pedaços, quando as rachaduras no coração dele começam a se abrir, te ensinar a preencher, mesmo que superficialmente os vazios.
 Queria te dizer como trazer de volta a vida na voz, aquele brilho em meio ao verde do olhar, aquele sorriso com covinhas nos cantos da boca, o jeito de menino sonhador e travesso, na forma de ser, mas, eu não posso, essas são coisas que eu não consigo ensinar.
 Mas, ei, não se preocupe, ele vai te mostrar como fazer isso, ele sempre mostra de algum jeito, como mostrou pra mim, então não se preocupa, porque ele vai continuar aqui, e você vai aprender a lidar com ele, mesmo que seja difícil as vezes, não desiste, que o que tem lá na frente vale a pena, só tenha paciência, porque no fundo ele é só um menino que tem medo do mundo lá fora, por isso ele tem seu próprio mundo e ele só precisa ser entendido, pra dividir o mundo dele com você...

S.

quinta-feira, 25 de junho de 2015



...Sempre via aqueles olhos em meio a fumaça dos cigarros, enebriados pelo álcool, e eles sempre me mostraram tanto, falaram tanto, sempre me perdia naquele brilho, na profundidade daquele verde, na curiosidade de tudo que havia por trás deles.
Sempre a forma com que seus olhos sorriam, em meio a sua risada, e a curva em seus lábios que se formava toda vez, queria saber uma forma de explicar, uma forma de expressar, tudo que aqueles olhos podem transmitir, queria poder ensinar outros a lê-los, pra que ele não se sentisse mais tão só, pra que pudessem entender quando a alegria dentro dele transborda, quando se sente só, triste, ou quando seu mundo desmorona, quando seus olhos falam tudo que ele não diz.
Seus olhos sempre foram um reflexo de seu interior, sempre mostraram tudo que ele esconde de si mesmo, e tudo que ele tenta esquecer, seus olhos mudam a cada momento, seus olhos, falam, gritam, e pedem. Aqueles olhos verdes, as vezes carregados de vida, mas as vezes de dor...

S.

domingo, 21 de junho de 2015



...Eu já não o via com muita frequência, não nos falávamos como antes, ele já não me contava tudo sobre seus dias, mas eu o conhecia, conhecia muito bem, melhor que ele mesmo as vezes. Ao menos achava isso, ele sempre se mantinha afastado de tudo, tinha seu próprio mundo, e se trancava lá, evitava a proximidade, e não se mostrava por completo pra ninguém.
Mas as coisas haviam mudado, e eu não percebi, não soube e não senti isso. A música era alta, quando o vi surgir em meio a multidão, ele parecia extremamente bem, e não trazia consigo o cigarro e a garrafa habitual, não entendi de inicio o motivo dessa mudança, então ele passou por mim sem que nossos olhares se cruzassem, e trazia pela mão uma garota, e suas mãos se enrolavam como se nunca mais quisessem se afastar, confesso que senti um pouco de inveja dela, ela tinha nas mãos a joia mais preciosa que já encontrei, e pelo sorriso dela vi que ela sabia disso, e ela não o deixaria partir. 
Pararam próximos de onde eu estava, vi quando ele a abraçou, tocou seu rosto, e a beijou, e então pude sentir que ele trocaria tudo no seu mundo, pelo mundo dela, que não queria nada além daquele beijo, daquele momento, enquanto a música estava alta ele sussurrou algo para ela, e ela sorriu, não podia ver os olhos dele, mas sabia que eles sorriam pra ela também...

S. 

sábado, 23 de maio de 2015



...Era tarde da noite quando nos cruzamos em uma rua qualquer, eu já nem recordava a última vez que o tinha visto, ele parecia o mesmo, um cigarro e uma garrafa, ele sempre foi tão diferente de todo o resto, a forma com que se destacava sem querer em meio as outras pessoas, sempre um pouco deslocado, com aquela dor recolhida no olhar, ele era aquelas pessoas que você nunca se imagina convivendo, até que o conhece e não quer que ele saia mais da sua vida. Ele realmente parecia o mesmo, mas no momento em que seus olhos cruzaram com os meus, percebi que as coisas haviam mudado, ele ainda era o mesmo, o garoto sonhador, e auto-destrutivo que conheci, mas algo havia mudado nele, não havia mais aquela aura de auto-piedade em torno dele, mas ela parecia mais frio do que sempre fora, algo tinha mudado, só percebi o que era, quando me cumprimentou, sem parar, e simplesmente seguir. 
Quando você o conhece, não quer que ele saia mais da sua vida, eu quis, pedi por isso, e ele atendeu meu pedido...

S.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014


...Eu sempre o vi bebendo sozinho, com seus cigarros e pensamentos, mas, não da forma com que vinha acontecendo, ela me dava medo, ele, tinha medo, podia ler isso no seu rosto, sentia isso.
Ele já não era mais o mesmo e tinha medo do que estava se tornando, ele nem ao menos sabia o que estava se tornando, ou onde ele havia se perdido e isso o assustava, tirava seu centro e o mandava ao velho redemoinho de confusão.
Ele sentia dor, angústia, mas nunca deixava transparecer, e isso o enlouquecia aos poucos, tudo ao seu redor se tornava cinza e sombrio como em uma tarde chuvosa, mas o único lugar em que a tempestade caia, era dentro dele mesmo, eu sentia....

S.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014



...E conhecer ele, da forma com que eu conhecia. Sempre era complicado, sempre ficava com medo, mais por ele, do que por qualquer outra pessoa.
Ele era imprevisível, impulsivo, e silencioso, isso sempre te deixa com o pé atrás, né?!
E a tempos o via se saturando, de coisas nenhuma e tudo ao mesmo tempo, ele sempre se fez de forte, como se nada o abalasse, como se nada pudesse invadir o seu pequeno universo particular, mas ele era só mais uma pessoa, como qualquer outra, se fechando até que alguém conseguisse o libertar, eu sabia disso, todo mundo deveria ver, mas ninguém podia ver, os muros dele eram altos de mais.
Eu sentia, quando ele começava a se perder, ouvia ele gritando, suplicando, via seus olhos escurecerem, a cada dia mais, assim como vi ele chegando ao seu limite, e tive medo, medo por ele, pelo sei pequeno universo desabando, e por tudo que seria consumido ao seu redor quando ele explodisse, e ele ia explodir, via isso tão claramente como um mostrador de uma bomba, e eu sentia os segundo se acabando, eu sabia que aconteceria. Só não sabia, se ele explodiria em lágrimas ou em ódio....
S.

sábado, 2 de agosto de 2014


...E já era tarde, eu ia pra mais um sábado a noite sem me preocupar com o amanhã, e ele simplesmente sairá como de costume, andando sozinho, procurando silenciar sua mente.
No meio de uma rua qualquer nos cruzamos, por um segundo vi o brilho verde de seus olhos, e o tempo pareceu parar.
Naquele segundo conversamos através do olhar, contamos tudo um para o outro, os caminhos que seguímos, nossos erros, nossos medos, tudo que nos atormentava a noite, todas as lembranças, falamos de nós, confessamos a saudade, a falta, e nos pedimos o que fizemos de errado?
Em um segundo, o mundo aconteceu, no momento em que nossos olhares se cruzaram, em um segundo tudo veio a tona, em um segundo não houve barreiras, não houve medos, em um segundo nos expusemos completamente, em um segundo, o brilho dos olhos dele sumiu, ele sorrio pra mim como quem se desculpa, baixou seus olhos e se fechou mais uma vez, então seguiu seu caminho com uma garrafa e um cigarro como suas únicas companhias.
Em um segundo nenhuma palavra foi proferida, nem um gesto foi feito, mas isso nunca fora realmente necessário pra gente, nossos olhos sempre contaram muito mais que nós mesmos, queria saber pra onde ia, e o que faria com a sua vida e com sigo mesmo, mas ele se foi, deixando somente um leve rastro de fumaça e seu cheiro tão vivo em minha memória, ele havia mudado, mas seu cheiro não, as lembranças não, e no fundo acho que eu também não...

S.

quarta-feira, 30 de julho de 2014


...E ele ficava assim em meio a penumbra, os rastros de fumaça e o aroma de café, com um ar perdido e os olhos mareados, conversava com sigo mesmo, questionava suas razões, os seus porquês, não sabia mais ao certo, os caminhos que o levaram até ali, e se de fato era ali, se era assim que queria estar.
Uma inundação de pensamentos e medos, foi surgindo com o tempo, tão lentamente quanto as cheias das mares, sutil, pra muitos imperceptível, veio sem aviso, como aquelas chuvas no verão, mas pra ele, não desapareciam na mesma velocidade que chegavam.
Eu sabia como as coisas aconteciam dentro dele, como ele as prendia lá, até não suportar mais e explodir, uma bomba relógio, era assim que ele me parecia nos dias que vinham se passando, mas sobre tudo perdido em si mesmo.
Não era isso que ele queria, não era assim que se via, não era o que imaginava, estava perdido, e exausto, sem respostas, sem saber o que fazer com o que a vida tinha se tornado. Eu vi os caminhos que tomou, tempos depois de ter me atirado em seu redemoinho de confusões e quase me afogar, acho que parte dele ficou em mim, me permitiu senti-lo sempre, em qualquer tempo ou distancia, e agora eu sinto, e sei que ele...


S. 

sábado, 5 de julho de 2014


...E ele nunca deixaria que soubessem, não deixava transparecer, ao menos não da forma que qualquer um fosse ver. Mas eu o conhecia bem de mais para não notar as suas mudanças, mudanças tão sutis, mas que quase gritavam para quem soubesse ouvir.
Conheço seus limites, e sei muito bem quando eles se aproximam, o vi trocar seus cafés pelo destilado, passar de um maço do seus cigarros, para dois, o brilho dos seus olhos verdes, ceder pra uma sombra de tristeza. Eu o vi, se fechar, aos poucos, os sorrisos sumirem, e uma culpa se formando dentro de si, vi quando as lágrimas que ele não deixou rolarem, se formaram em uma tarde cinza, e todas os seus pedaços se afastarem mais uma vez, prestes a cair. 
Eu vi tudo isso, e nunca entendi como só eu podia ver isso, como só eu posso ouvir o seu silêncio que grita, como só eu que percebo seus olhos mudarem, como só eu....
S.

sábado, 7 de junho de 2014


....E toda vez que o frio chega, e quando ele se encontra de frente com quem ele era, olha no espelho e vê a pessoa que deixou pra trás, a pessoa que perdeu em meio aos seus caminhos.
Eu o vejo pelas ruas, sabe, vez e outra, ele sempre parece o mesmo, o cigarro, os olhos distantes, e verdes, sem brilho, mas ainda verdes. Pra quem não o conhece bem ele pareceria muito indiferente ao mundo ao seu redor, mas, eu sei, o quanto ele se importa, o quando ele sente. Quando a noite cai, e seus cafés e cigarros, não lhe amenizam a dor...Eu sinto, quando o silêncio dele grita, eu posso ouvir, eu vejo a lágrima que ele não deixa rolar, seu sorriso de tristeza, e o riso de dor.
Eu sempre soube, sempre senti, quando a dor o corroê, quando ele perde o chão, quando se perde, sempre soube, como ele se fecha pra não deixar ninguém entrar na sua dor, como ele se tranca pra não arrastar ninguém pra sua depressão. Sempre soube, mas nunca pude fazer nada.....
S. 

sábado, 15 de março de 2014


Não se perguntar "e se?", não significa esquecer.
A gente tenta não pensar, já não fica remoendo, não permite que doa,
mas a gente lembra, sente falta, sente carinho, traz a lembrança.
A gente sempre lembra.

S.